quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Resultados parciais

Do ponto de vista genético já foram padronizados os métodos para o diagnóstico da síndrome de Turner. A equipe está finalizando atualmente os experimentos para padronizar a técnica do diagnóstico molecular para síndrome velocardiofacial.

Do ponto de vista neuropsicológico as análises preliminares identificaram que, das cerca de 100 crianças com dificuldades de aprendizagem da matemática avaliadas foi possível identificar um grupo com cerca de 60 crianças que apresenta inteligência normal e nas quais as dificuldades não podem ser primariamente atribuídas a deficiências neurossensoriais, dificuldades emocionais, falta de estimulação ou assistência educacional inadequada. Tais crianças preenchem os critérios para discalculia do desenvolvimento ou transtorno especifico da aprendizagem da aritmética (CID-10 F81.2).

Quanto aos mecanismos cognitivos envolvidos foi possível identificar que o grupo de crianças com transtorno de aprendizagem da aritmética é heterogêneo. Entre os principais fatores preditivos das dificuldades de aprendizagem da matemática podem ser mencionados: 1) déficit na representação não-simbólica de magnitudes; 2) dificuldades verbais, principalmente de processamento ou consciência fonológica. 3) déficits na memória de trabalho.

Foi observado também que nas crianças que apresentam discalculia em associação com trasntorno do déficit de atenção por hiperatividade as dificuldades são mais graves, associando-se com déficits na memoria de trabalho e funções executivas.
As crianças com discalculia associada com dificuldades de leitura e da escrita também diferem das crianças com discalculia não associada a estes problemas. As tarefas de cunho verbal, tais como a tarefa de transcodificação numérica são mais preditivas das dificuldades de aritmética associadas a deficits da lectoescrita. Por outro lado, as tarefas não-simbólicas de estimação e comparação da magnitude de conjuntos visualmente apresentados são preditivas da discalculia do desenvolvimento não associada a dificuldades da leitura e escrita.

Os resultados obtidos até o momento se revestem de diversas implicações clinicas, educacionais e sociais:

1. É possível identificar através de procedimentos neuropsicológicos crianças com dificuldades específicas de aprendizagem da matemática, não atribuiveis a fatores extrínsecos, as quais necessitam de atenção psicopedagógica especializada;
2. O grupo de crianças com dificuldades de aprendizaem da aritmética é heterogêneo, havendo diversas comorbidades associadas, sendo as dificuldades também atribuíveis a diversos mecanismos cognitivos;
3. O atendimento psicopedagógico a crianças com dificuldades de aprendizagem da aritmética exige uma avaliação neuropsicológica do funcionamento cognitivo dos indivíduos afetados e as intervenções devem ser planejadas levando em consideração as características individuais de cada cliente;
4. Pesquisas futuras deverão ser projetadas para investigar o potencial de tarefas que avaliem as funções cognitivas identificadas na identificação precoce (triagem) de pré-escolares em risco de apresentar dificuldades com a aritmética. Entre os domínios que devem ser avaliados estão a inteligência geral, as habilidades de processamento fonológico (principalmente consciência fonêmica), a memória de trabalho e habilidades mais básicas, não-simbólicas, de estimação e comparação da magnitude de conjuntos.